Grande paixão pelos mais pequenos da Fiat
Nem só de velocidade vive a paixão automóvel. Uma verdade inquestionável para os amantes dos pequeninos Fiat 600 e 500 que se juntam em Lisboa no próximo dia 11 de Junho. Com uma velocidade média de apenas 80 km por hora, estes pequenos carros fazem a delícia de muitos amantes de automóveis antigos. A Concentração Internacional Fiat 600 500 é organizada pelo Clube Amigos do Fiat 600 500 Portugal e promete encher as ruas de Lisboa com estas relíquias POR ROGER MOR
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•• Fruto da carolice de um grupo de apaixonados pelos pequenos Fiat, a Concentração Internacional Fiat 600 e 500, incluída nas Festas de Lisboa, vai juntar mais de cem destes carros já no próximo dia 11 de Junho. Entre os participantes estará uma verdadeira atracção: o primeiro Fiat 600 construído em Espanha, após a Segunda Guerra Mundial, uma altura em que estes automóveis eram vistos como os carros dos povo. Vindo de Barcelona, este exemplar de Fiat 600, promete chamar a atenção.
Esta concentração pretende ao mesmo tempo promover o clube, os Fiat 600 e 500, mas também a própria cidade de Lisboa. A concentração inicia-se dia 11 de Junho, às 11h30m da manhã, na Rua Ivone Silva e tem como destino o Padrão dos Descobrimentos em Belém. Os pequenos carros ficarão estacionados aí, mas para os seus proprietários está reservada uma outra viagem. A bordo de um barco, onde será servido um típico almoço português, os participantes deverão viajar até à Ponte Vasco da Gama. “No fundo, é oferecer aos participantes a possibilidade de conhecerem Lisboa primeiro através do rio e mais tarde pelas ruas da cidade”, explica-nos João Martinó, vogal da direcção do Clube. E assim é, porque pelas 16h30m a caravana dos Fiat sai de Belém com destino à Avenida de Berna. Para os apaixonados ou simplesmente curiosos por estes carros a Praça do Comércio, Rossio, Avenida da Liberdade e Marquês de Pombal e Saldanha são lugares recomendados. Uma das preocupações da organização é que tudo seja bem português, uma forma de promover o país junto dos visitantes.
João Martinó é um dos responsáveis pela organização do evento, proprietário orgulhoso de um Fiat 600, e garantiu à VMW Services que é todo o trabalho e dedicação exigidos na recuperação destes pequenos carros que mais o fascina. Com formação em mecânica, mas hoje mais voltado para a informática, Martinó explica-nos que 90% dos participantes neste tipo de encontro se deslocam nas suas relíquias, motivo que explica a dificuldade em atrair participantes de países mais distantes. Os participantes no encontro serão portugueses e espanhóis. Quando questionado sobre os apoios para este tipo de eventos, Martinó responde rindo “só me dá vontade de chorar”. Reconhecem que a Câmara Municipal de Lisboa lhes abriu algumas portas, nomeadamente ao integrar o evento nas Festas de Lisboa, mas pelos vistos o apoio não terá ido muito além disso. A Fiat Auto Portuguesa e o Corte Inglés parecem ter acreditado mais no projecto. O Clube Amigos Fiat 600 500 de Portugal acredita que tudo foi mais difícil por ser a primeira Concentração Internacional. Mas na próxima concentração, que o Clube tem vontade de fazer já no próximo ano, tudo será mais fácil, defende a organização.
O evento tem a intenção de trazer notoriedade ao Clube que se assume como um porto de abrigo para quem agora entra nesta viagem ao mundo dos pequenos Fiat. Explica-nos Martinó que uma das finalidades da associação é precisamente ser uma ajuda para quem procura informação sobre estes antigos carros. Por isso já sabe, se nutre uma paixão por estes carros pode sempre procurar informações junto do Clube de Amigos Fiat 600 500 de Portugal.
Foi numa procura de informação que o actual presidente do Clube, Paulo Lopes acabou por se ver atraído pelo Fiat 600. Apaixonado por automóveis antigos, o advogado de 31 anos, possui hoje um Fiat 600 e três Fiat 600 Viotti, estes últimos uma raridade, já que segundo Paulo Lopes, “há apenas meia dúzia destes carros em Portugal”. O Clube Amigos Fiat 600 500 Portugal, formalmente criado em 1999, conta com 250 sócios e tem apenas um requisito obrigatório: todos os associados têm de ter uma grande paixão pelos pequenos Fiat. Paulo Lopes explica que estes carros continuam ainda a ser o parente pobre do coleccionismo automóvel, graças à produção massificada destes veículos. Ainda assim, e apesar da recuperação de um veículo destes representar cerca de 6000 euros, a somar aos 1500 euros da compra, muitos são os que encontram nos Fiat 600 e 500 uma forma de reviver o passado e preservar uma memória para o futuro. |